A Prova · metodologia

Como vamos provar — para que as notas signifiquem alguma coisa

Uma nota de prova sem método é um palpite bem escrito. Este é o protocolo que vamos aplicar a todas as garrafas, sempre igual — é por isso que os perfis serão comparáveis entre si. Está publicado antes da primeira prova, para que ninguém possa dizer que o ajustámos ao resultado. Desça e veja-o, passo a passo.

O protocolo · diante de si

A prova, diante de si

O que acontece a cada garrafa, pela ordem em que acontece — da compra à ficha publicada. O palco acompanha cada passo; o texto diz tudo o que o desenho mostra.

Passo 01 · o protocolo

Comprada, não oferecida

Nenhuma garrafa entra n'A Prova sem ser comprada por nós, a preço de loja. Não aceitamos amostras de produtores — a garrafa que sobe a esta mesa não deve nada a ninguém.

Passo 02 · o protocolo

Forrada até ao gargalo

A primeira prova é sempre às cegas: cada garrafa é forrada e a ordem da sessão é baralhada. O que chega à mesa não tem marca, não tem preço, não tem promessas de rótulo — tem só o que está dentro do vidro.

Passo 03 · o protocolo

Sem nome à mesa

Enquanto o forro está posto, a garrafa é apenas um ponto de interrogação. A segunda prova, dias depois, faz-se com o rótulo à vista — para separar o que o líquido diz do que o rótulo sugere. As notas publicadas nascem da prova cega e são revistas na segunda.

Passo 04 · o protocolo

A mesa, sempre igual

Servimos a 8 °C, medidos na garrafa — não «do congelador»: o frio extremo anestesia exatamente aquilo que queremos avaliar. O copo é um cálice pequeno de vidro liso, o mesmo modelo em todas as provas.

A ordem também não muda: das mais secas para as mais doces. A crema prova-se sempre em sessão separada, porque a gordura recalibra o palato.

Passo 05 · o protocolo

O mesmo painel, sempre

Prova um painel pequeno e fixo — as mesmas pessoas de sessão para sessão, para que as escalas não derivem entre provas. É por isso que o painel se fixa antes da primeira garrafa, e não à medida que as provas correm. As divergências relevantes ficam anotadas na ficha, em vez de desaparecerem numa média.

Passo 06 · as escalas

Seis eixos, uma grelha

O que se provou escreve-se numa grelha de seis eixos, todos de 0 a 10, sempre os mesmos. Nenhum é uma nota final — são as coordenadas do perfil, e é por serem sempre as mesmas que as garrafas se comparam entre si.

Passo 07 · os seis eixos

Casca 0–10

A presença do óleo essencial de limão — o coração da bebida. 0 é aroma de rebuçado; 10 é casca acabada de raspar. Acima de 7 exige maceração a sério.

Passo 08 · os seis eixos

Doçura 0–10

O açúcar percebido, ancorado nos teores declarados sempre que o rótulo os traz. O meio da escala corresponde à doçura corrente do limoncello de mercado; as pontas ficam para os secos assumidos e para os que são quase xarope. Não é um eixo de qualidade: é um eixo de estilo.

Passo 09 · os seis eixos

Corpo 0–10

Viscosidade e peso na língua, do quase-aguado (2) ao xaroposo (9). As cremas vivem naturalmente no topo.

Passo 10 · os seis eixos

Calor 0–10

A presença do álcool, da suavidade enganadora (2) ao ardor franco (9). Alto não é defeito — é carácter de digestivo.

Passo 11 · os seis eixos

Persistência 0–10

Quanto tempo o limão fica depois de engolir. É o eixo que melhor separa o artesanal do industrial.

Passo 12 · os seis eixos

Aroma 0–10

A autenticidade do nariz — limão de verdade ou nota de detergente cítrico? É o eixo mais subjetivo, e é por isso que se prova às cegas.

Passo 13 · a assinatura

O perfil fecha — e assina

Seis valores, um polígono: é este o desenho que encontra em cada ficha d'A Prova — nascido da prova cega, revisto com o rótulo à vista. A garrafa continua forrada até a curadoria a revelar; o perfil, esse, publica-se por inteiro.

Ver as oito garrafas Prove connosco

Os limites do método — ditos com todas as letras

Três avisos que preferimos fazer nós. Primeiro: somos entusiastas com método, não um laboratório — os eixos são sensoriais e têm a subjetividade que a prova cega reduz mas não elimina. Segundo: lotes artesanais variam, e uma garrafa comprada este ano pode não ser igual à do próximo; cada ficha definitiva sairá datada por isso — e quando um lote novo se afastar da nota publicada, voltamos a prová-lo e a ficha dirá que foi revista. Terceiro: quando publicarmos preços, será o que pagámos e onde pagámos — o seu pode variar. Nenhum destes limites nos parece razão para não publicar; são razão para publicar também os limites.